quinta-feira, 25 de novembro de 2010

E QUANDO A VIDA MUDA RADICALMENTE...

E chegou 2010, ultimo ano de curso. Posso dizer que até começar a engrenar, não foi nada fácil para mim. Foi um turbilhão de coisas acontecendo em minha vida ao mesmo tempo. Primeiramente estava me recuperando da experiência traumática de quase ter perdido meu bebê, que ao nascer apresentou um quadro de septicemia, e uma meningite bacteriana se desenvolvendo. Mas como sou uma pessoa de muita fé, orei incessantemente entregando tudo nas mãos de Deus, que me permitiu levar minha filha Helena pra casa completamente curada e sem nenhuma seqüela.

Tendo meu esposo ficado sem emprego, o que já era esperado, porém, para mais tarde, nos mudamos de cidade, esta mudança já estava prevista, mas para mais adiante, quando já estaríamos com nossa casa pronta e tudo seria mais tranqüilo. Mas imprevistos acontecem. E foi assim que fui para em São Francisco de Paula, uma cidade pequena do interior, mais precisamente da serra gaúcha, que hoje adotei para mim. No inverno já pude ver até a neve caindo, que infelizmente não chegou a acumular em função da umidade.

Estando de licença gestante, que no estado é de 180 dias, tive que abrir mão de 60 dias, retornando antes para fazer meu estágio. Foi sofrido ter que deixar meu nenê, mas teve uma boa razão, queria concluir minha graduação este ano, juntamente com a turma.

Adaptar-me à escola também foi complicado, era uma realidade muito diferente da que eu estava acostumada. A escola me recebeu de braços abertos, me apoiando nas transformações que decidi fazer na sala de aula.

Então comecei meu estágio com uma turminha de 15 alunos (quando iniciei eram 9 freqüentando as aulas) da educação infantil.

A turminha estava bastante desmotivada, a professora da turma estava bastante doente, tirando constantes licenças-saúde, sendo as crianças atendidas por alunos do Curso Normal. Dessa forma, o trabalho não tinha uma continuidade.

A sala de aula estava sem recursos que motivassem os alunos. Comecei então um trabalho de reorganização e reestruturação da sala de aula, recebemos doações de brinquedos, jogos, roupas, chapéus e muito mais.

Comecei trabalhando a partir do “eu”, eu e meu corpo, meus materiais, meus brinquedos, etc. Trabalhamos os cinco sentidos, realizamos experimentos. O trabalho estava tendo uma seqüência e podia ver que as crianças estavam felizes. Também cantamos bastante, as crianças gostavam de cantar e de dançar.

O que funcionava muito bem na escola era o laboratório de informática, procurava sempre nas aulas realizar alguma atividade complementando o que estava sendo trabalhado na aula.

O tempo passou, minha licença acabou e eu continuei na turminha em que fiz o estágio, onde estou até hoje. Apesar das dificuldades, foi uma experiência muito rica para mim. Compreendi que podemos ser agentes transformadores em qualquer lugar que tivermos, em qualquer realidade, basta ter vontade, coragem e determinação para trabalhar.

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