segunda-feira, 1 de junho de 2009

REVENDO A QUESTÃO DO PRECONCEITO

Como não estou atuando em sala de aula este ano, fui procurar na escola alguns alunos negros para entrevistar, e não foi muito fácil encontrar, tanto que encontrei apenas dois, um menino que estuda na 6ª série do Fundamental e uma menina que estuda à noite no 1º ano do Ensino Médio.
Ivoti, cidade onde moro e trabalho, é predominantemente de origem alemã, é bastante difícil encontrar pessoas negras por aqui. Hoje já há muitas famílias de outras origens morando na cidade, portugueses, italianos, poloneses, japoneses, mas a que menos encontramos é realmente a negra. Logo que mudei para Ivoti, em meados de 89, era muito difícil encontrar alguém que não fosse de origem alemã, e quando se via, se destacava entre as pessoas. Hoje já está melhor, mas naquela época existia muito preconceito com quem não fosse de origem alemã, se a pessoa tivesse um sobrenome que não fosse alemão e mesmo sendo branco, mas de origem portuguesa, por exemplo, era chamado de negro, se fosse pardo então nem se fala. Para conseguir um emprego no comércio era preciso saber falar alemão. Eu mesma ouvi várias vezes no ônibus, na rua, “esse fulano é schwats” (que significa negro/preto em alemão) e por incrível que pareça, logo que comecei atuar no magistério, passei por situações de puro preconceito, algumas mães tiraram suas filhas da minha turma para colocar na outra turma que a professora era alemã. Hoje, graças a Deus a situação é bem diferente na cidade, pois na época que o mercado calçadista estava forte, muitas famílias se estabeleceram na cidade em busca de emprego. Foi muito bom, pois as crianças da época passaram a estudar e conviver juntas e entre os jovens de hoje praticamente não existe preconceito.
Fazer algumas entrevistas com pessoas de origem negra me oportunizou ter uma idéia de como a situação está hoje em dia.
Os alunos da escola me disseram não sofrer nenhum tipo de preconceito, se sentem acolhidos pelas turmas as quais pertencem, pelos colegas e pela escola em geral. Também fora da escola disseram que não sofrem preconceito. Fiquei muito feliz pela forma tranqüila com que os dois alunos expuseram seus sentimentos, demonstrando que preconceito é, praticamente, coisa do passado. Ótimo! Afinal, pessoas são pessoas, não importa sua cor, credo, preferências, e todos merecem ser respeitados e valorizados.
A Sra. Entrevistada disse ainda sofrer um pouco de preconceito, ela é vendedora de bolachas passando nas casas das pessoas. Mas temos que considerar que nos dias de hoje é preciso ter muito cuidado, pois não sabemos quem bate à nossa porta. E nem sempre podemos comprar tudo que nos oferecem. Sendo assim, acredito que a Sra. não sofre simplesmente preconceito racial, são vários fatores que acabem se agregando e levando a esta idéia.

2 comentários:

sheilahahn disse...

Oi,Adriana!

Você conseguiu evidenciar as suas aprendizagens relatando a evolução de suas experiências e de sua cidade referente aos negros, mas também levantou outra questão sobre outros preconceitos. Parabéns! Sua reflexão foi crítica e construtiva.
Um abraço, Sheila

Melissa disse...

Concordo com a Sheila.
Fizestes uma popstagem muito boa.
Parabéns :-)
Beijos
Melissa